
Espanha · 0º Século
Em 1231 (ou 1232 de acordo com alguns relatos históricos), durante a Reconquista cristã quando a cidade espanhola de Caravaca, no sudeste, ainda estava sob controle muçulmano, ocorreu um milagre eucarístico extraordinário que levou a conversões notáveis. O evento ocorreu durante o reinado do rei muçulmano Abu Zeid (Zeyt-Abuzeyt). Um padre cristão, Padre Ginés Pérez Chirinos de Cuenca, havia sido capturado e levado à presença do rei muçulmano. O rei, que possuía genuína curiosidade sobre a fé cristã, fez perguntas sobre as crenças e práticas cristãs, particularmente sobre a celebração da Última Ceia e do Santo Sacrifício da Missa.
O rei solicitou que Padre Ginés demonstrasse a cerimônia da Missa, mas quando o padre tentou começar, percebeu que lhe faltava um crucifixo—um elemento essencial para a celebração da Eucaristia. De acordo com os relatos históricos mais autorizados, particularmente o testemunho contemporâneo registrado pelo Padre franciscano Gilles de Zamora, historiador do Rei Santo Fernando III, neste momento crítico dois anjos apareceram em luz brilhante, portando a Cruz de Caravaca (uma cruz patriarcal distintiva de dupla barra). Os anjos colocaram a cruz no altar, permitindo que o padre prosseguisse com a Missa.
Durante a Consagração, enquanto Padre Ginés pronunciava as palavras que efetuam a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, o Rei Abu Zeid testemunhou uma visão assombrosa: em vez da Hóstia, viu um lindo Bebê—o próprio Cristo Menino. O rei foi tão profundamente tocado por esta visão miraculosa e pela intervenção angélica que imediatamente se converteu ao Cristianismo, juntamente com membros de sua família, e solicitou o Batismo. Esta conversão durante o período da Reconquista foi notável e politicamente significativa.
A Cruz de Caravaca tornou-se uma das relíquias mais veneradas na Espanha. Ao longo dos séculos, sua autenticidade foi reconhecida repetidamente pela Igreja. O Papa Clemente VII (durante o Papado de Avignon) expediu uma bula em 1392 reconhecendo o lignum crucis (madeira da cruz) guardado em Caravaca. Papas posteriores concederam numerosas indulgências: Papa Clemente VIII em 1597, Papa Paulo V em 1606, Papa Alexandre VIII em 1609, e Papa Clemente XI em 1705. Em 1794, a Igreja concedeu à Cruz o Culto de Latria (culto de adoração)—a forma mais alta de veneração, equivalente àquela concedida ao Santíssimo Sacramento.
Na era moderna, o Papa João Paulo II concedeu a Caravaca de la Cruz um privilégio extraordinário: em 1998, estabeleceu que a cidade celebraria um Ano Jubilar a cada sete anos perpetuamente. Isto tornou Caravaca a quinta Cidade Santa do Cristianismo Católico, juntando-se aos postos de Roma, Jerusalém, Santiago de Compostela e Santo Toribio de Liébana. O primeiro destes anos jubilares recorrentes foi celebrado em 2003, seguido por 2010, 2017, e mais recentemente 2024. Durante os anos jubilares, peregrinos podem receber indulgências especiais visitando a Basílica-Santuário da Vera Cruz. A cidade atraiu mais de 700.000 peregrinos durante os anos jubilares, consolidando seu status como um dos mais importantes destinos de peregrinação no mundo de língua espanhola.
O Vaticano aprovou formalmente este milagre para veneração pública após investigação e revisão minuciosa pela Congregação (agora Dicastério) para a Doutrina da Fé. Isto representa reconhecimento oficial da Santa Sé.
A Santa Sé concedeu reconhecimento especial, permitindo que Caravaca de la Cruz seja a quinta cidade do mundo (após Roma, Jerusalém, Santiago de Compostela e Santo Toribio de Liebana) a celebrar o Jubileu Perpétuo (um ano santo a cada sete anos perpetuamente), concedido em 1998. Contudo, nenhum documento magisterial específico, decreto do Vaticano ou relatório formal de investigação eclesiástica referente ao milagre Eucarístico de 1231 foi encontrado nos arquivos oficiais da Igreja. A Igreja não possui registro de uma bula papal, decreto diocesano ou outro ato formal que declare oficialmente o evento de 1231 como um milagre verificado da Igreja universal. O evento permanece como uma tradição piedosa local.
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